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Texto: Flávia Pegorin (gourmet.ig.com.br)
2009/8/31
Fotos: Divulgação  
Guia de taças
 
Pode não ser um investimento muito barato, mas adquirir um bom jogo de taças garante a melhor degustação de bebidas

Apreciar um bom vinho já não é aquele hábito relegado à alta sociedade. Com tantas marcas e tipos no mercado – literalmente "no mercado", pois muitas cadeias de varejo colocam hoje à disposição um corredor completo de bebidas de todo preço e qualidade – ficou mais fácil montar uma adega em casa. Para degustar o produto comprado, no entanto, copo vagabundo não vale!

Junto com as bebidas, existe hoje uma grande gama de taças de vários materiais e preços de toda sorte. O investimento, na maioria das vezes, é um pouco alto, mas recompensador. Se for o caso, basta dividir a formação do jogo de taças durante muitos meses – comprando um tipo a cada bimestre, por exemplo, assim não pesará muito no bolso e será questão de tempo até possuir um jogo completo.

Para quem pensa que isso é bobagem – e que qualquer copo serve – os especialistas dão o contra. Apreciadores e estudiosos de vinhos vêm, ao longo de muitos anos, pesquisando e adaptando os formatos das taças para cada tipo de bebida, melhorando o padrão para ganhar, por exemplo, em aroma.

O ideal, segundo consta, é que a taça para apreciar vinho, por exemplo, seja de cristal liso, fino e incolor. "Taças de vidro podem ser usadas, mas o cristal, por ser mais delicado, não distorce a temperatura, a textura e os odores da bebida", explica o sommelier Francisco Haddid, que trabalha para diversos bares e restaurante em São Paulo. "Já as taças coloridas também não são muito boa idéia, pois impediriam, por exemplo, de distinguir a coloração de cada tipo de bebida", ele completa.

Para os vinhos brancos, as taças devem ter o formato de tulipa, com a boca mais estreita, para preservar os aromas finos e delicados dos vinhos. Para vinhos mais encorpados, os tintos, que precisam "respirar" para liberar seus atrativos, os copos de bocas largas e mais bojudos que os de vinho tinto são os mais indicados. Esse tipo de taça é ideal para que o vinho se movimente com folga dentro do recipiente – e, até por isso, o ideal é não encher a taça acima da metade da sua capacidade.

As taças para espumantes devem ser altas e estreitas, o que facilita a produção contínua das famosas bolhinhas e dá graça ao paladar. Em taças largas, haveria uma efervescência muito intensa e aconteceria uma grande perda de aromas (o que, no caso dos espumantes, é uma heresia).

Taças ou cálices para licores e para vinho do Porto são aquelas menores, com no máximo quatro dedos de altura, já que a bebida em geral é degustada ao final do jantar ou como aperitivo, sempre em pequeníssima quantidade. E existem ainda as taças ideais para água, vitais para aqueles que vão beber vinhos de tipos diversos e precisam limpar o sabor de um para provar outro. Essas taças normalmente são maiores do que as taças de vinho tinto e branco no bojo, mas algumas vezes têm hastes mais curtas para serem diferenciadas do resto.

Os fabricantes de vidros e cristais também se pegam com a tradição na hora de desenhar taças especiais. Por mais que possa haver uma invencionice ou outra, a taça de Martini, por exemplo, sempre será aquela triangular, reta, de boca bem aberta; para os conhaques, que também são servidos em pequena quantidade e devem se movimentar bastante para soltar o aroma, taça de haste muito curta e bojo bastante grande; e até a cerveja pode ter vez entre cristais e vidros finos – sendo servida em uma tulipa mais aberta e de haste baixa ou mesmo em uma taça semelhante à de água.

Para finalizar, vale a lembrança: é importante fazer uma limpeza bastante cuidadosa nas taças. É preciso usar pouco detergente e lavá-las muito bem para evitar o acúmulo de resíduos. Entre especialistas, existe o hábito de cheirar as taças antes de usar para garantir que ali não ficou nenhum odor que prejudique a degustação. Porque depois de tanto trabalho escolhendo as taças certas, ninguém vai querer tirar pouco proveito disso.
 
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