Conheça a história e os tipos da tradicional bebida japonesa e saiba como apreciá-la
Se você é daqueles que pede "caipirinha" de saquê em um bar, saiba que isso é considerado um sacrilégio do outro lado do mundo! Para os japoneses, a bebida, assim como tudo derivado do arroz, é sagrada. Antigamente, era consumido somente em ocasiões especiais e dedicada aos deuses xintoístas.
O saquê ainda tem muita importância simbólica nas comemorações mais cotidianas da vida japonesa, principalmente em casamentos e nas celebrações de nascimentos. No Ano Novo toma-se o tosozake, uma mistura de ervas medicinais chamada toso dissolvido em saquê, que se acredita ser bom para a saúde e trazer boa sorte.
O saquê é feito a partir da fermentação do arroz e pode ser encontrado em dois tipos – o futsuu shu e o jizake. O primeiro é uma denominação genérica para os saquês produzidos em grande escala. Já o jizake é a bebida produzida em destilarias familiares, em pequena escala. A gradação alcoólica varia de 16% a 20%.
Os saquês futsuu shu são divididos em 6 tipos:
- Junmai shu - mais puros, sem aditivos - Honjozo shu - recebem um pouco de álcool - Ginjo shu - no processo de produção o arroz é polido para conservar não mais que 60% da forma original do grão - Daiginjo shu - no processo de produção o arroz é polido para conservar não mais que 50% da forma original do grão - Namazake - o "saquê cru": é o saquê não pasteurizado (todos os demais tipos são), que deve ser conservado em geladeira - Nigorizake é o saquê não filtrado (os outros tipos são)
Há ainda um outro tipo de saquê, o mirin, conhecido também como vinho de arroz, devido sua baixa gradação alcoólica de 14%. Mais doce que os outros, o mirin é utilizado na culinária.
Para melhor apreciar o sabor, use copos apropriados que realçam a qualidade da bebida. Existem dois tipos de copo para tomar o saquê. O mais tradicional é uma tacinha rasa feita em laca ou porcelana que corresponde a um gole de saquê, do tempo em que a bebida era confiada a serviçais especiais que serviam seus senhores dose por dose, literalmente. O mais comum hoje em dia tem formato de cubo, também feito em laca ou madeira.
A bebida pode ser consumida gelada no verão e morna no inverno. Os apreciadores mais tradicionalistas tomam o saquê na temperatura ambiente. A ocasião ideal seria no telhado de uma casa, numa noite de lua clara, para escrever haiku (poesia típica japonesa) e ver as estrelas.
Aproveite uma ocasião especial e saboreie essa bebida sagrada. Mas lembre-se de não dirigir depois!